O Black não podia ter sido simplesmente um cão!
Mesmo que no seu estatuto conseguido ascendesse à categoria de CÃO, o “bléquinho” seria sempre mal classificado, desvalorizado!
Bem sei que o Black tropeçava nas orelhas, metia o focinho onde lhe apetecia sem pedir licença a ninguém, roía e rosnava pelas mais diversas razões, vá-se lá saber quais!?
Saltava para o colo das visitas comprometendo a boa recepção das mesmas e descaradamente na primeira oportunidade oferecia-nos uma lambidela de elevada perfomance.
O Orlando, geralmente, perdoava-nos os desrespeitos cometidos à mesa, quando cedíamos às incessantes solicitações do Black em busca de um naco de comida…! CÃO guloso…!
Isto também era o Black!
Digo deste modo porque, o Black CÃO, para além do cão que existia dentro de si, era outra coisa que não sabemos bem definir. Algo que nos confunde, que nos ameaça as convicções e nos baralha os afectos….
A sua ascenção a cão mais que CÃO foi rápida, meteórica, e neste caso o consenso foi generalizado. TODOS sorrateiramente foram promovendo o Black cão a Black mais que CÃO.
Mas a carreira do Black não terminaria por aqui (Tinha a seu favor, entre outros, o facto de não estar na Função Pública).
Mais uma vez, sorrateiramente, TODOS promovíamos o Black a uma categoria que ninguém ousou designar e que lhe granjeava um lugar no seio dos mais genuínos afectos da Família…
Creiam-me, no seio da Família, o CÃO era ouvido, respeitado, admirado, acarinhado, mimado….
O seu estatuto obrigava a alteração de rotinas, privilégio que o dito mais que CÃO, assumia na completa assumpção do seu direito a ter Direitos….
Trapalhão, é certo, mas sempre muito convincente….
Por exemplo, a relação que o Black conseguiu com o nosso Pai?
Ah CÃO atrevido!
O Pai recomendava, criticava, repreendia. Eu diria mesmo educava!
O Black ouvia é certo, mas nunca desistia daquele olhar meio matreiro, meio a dizer “ vai pregar para outro lado”.
A conversa acabava com um “vai-te embora” acompanhado pela cedência, em segredo, de uma qualquer guloseima proibida no contexto da dieta decretada pelo Orlando, ou não se submete-se o Black à dita intervenção patronal na expectativa de, na primeira oportunidade, sacar a almejada guloseima…
Cumprido o objectivo, durante o processo de retirada, o Black mais que CÃO, exibia o seu famoso ar vitorioso, provocador e meigo, em jeito de quem deixa a porta aberta para uma próxima investida.
A relação Black - Pai é paradigmática… o Black sempre conseguia fazer emergir nas pessoas os sentimentos mais difíceis de exprimir! !!
A Mãe, ao seu melhor jeito, tratava o Black de acordo com o seu estatuto de Príncipe, respeitando escrupulosamente as instruções do dono.
Entre meigas repreensões e sorrisos cúmplices, recompensados com lambuzadelas inesperadas, estabeleciam os seus afectos.
Gracioso no olhar e no abanar de cauda, o Black rivalizava com os demais elementos da Família em prestígio, importância e ternura.
Descarado e trapalhão o Black marcou profundamente a nossa história individual e familiar.
Fê-lo como sabia, provocando afectos, fazendo emergir em cada um de nós sentimentos nem sempre disponíveis, ternura, humanidade, tolerância, amor ao próximo…
Todos fomos infectados por aquilo que o Black representou para nós, por uma qualquer razão que não pretendo explicar.
Os meus filhos, os meus irmãos, a minha esposa e companheira, sobrinhos, os meus pais, a minha cunhada, o Paulo Almeida, alguns amigos e familiares, partilharam o Black e o Black é comum a todos pela mesma razão: O AFECTO, A TERNURA.
Quinze anos é muito tempo, num tempo irremediavelmente curto e fugaz.
Black , bléquinho, seu cão feio, porco e mau, era assim que te tratava, obrigado por tudo o que nos deixastes….Possivelmente sem ti gostaríamos menos uns dos outros, possivelmente se não tivesses passado por cá estaríamos mais longe dos que deveríamos estar próximos.
É em homenagem a ti, Bléquinho, “ cão feio, porco e mau, que quero manifestar a minha total solidariedade com todos os que, sem estranheza ou vergonha, sentiram a tua partida como uma perda.
Prometemos-te bléquinho que nos iremos sempre lembrar de que aquilo que nos separa será sempre infinitamente menor do que aquilo que nos une!
Prometemos-te bléquinho que continuaremos sempre a zelar pelo teu dono e que não o vamos deixar sem afecto, sem ternura!
Está dito
Zé
Mesmo que no seu estatuto conseguido ascendesse à categoria de CÃO, o “bléquinho” seria sempre mal classificado, desvalorizado!
Bem sei que o Black tropeçava nas orelhas, metia o focinho onde lhe apetecia sem pedir licença a ninguém, roía e rosnava pelas mais diversas razões, vá-se lá saber quais!?
Saltava para o colo das visitas comprometendo a boa recepção das mesmas e descaradamente na primeira oportunidade oferecia-nos uma lambidela de elevada perfomance.
O Orlando, geralmente, perdoava-nos os desrespeitos cometidos à mesa, quando cedíamos às incessantes solicitações do Black em busca de um naco de comida…! CÃO guloso…!
Isto também era o Black!
Digo deste modo porque, o Black CÃO, para além do cão que existia dentro de si, era outra coisa que não sabemos bem definir. Algo que nos confunde, que nos ameaça as convicções e nos baralha os afectos….
A sua ascenção a cão mais que CÃO foi rápida, meteórica, e neste caso o consenso foi generalizado. TODOS sorrateiramente foram promovendo o Black cão a Black mais que CÃO.
Mas a carreira do Black não terminaria por aqui (Tinha a seu favor, entre outros, o facto de não estar na Função Pública).
Mais uma vez, sorrateiramente, TODOS promovíamos o Black a uma categoria que ninguém ousou designar e que lhe granjeava um lugar no seio dos mais genuínos afectos da Família…
Creiam-me, no seio da Família, o CÃO era ouvido, respeitado, admirado, acarinhado, mimado….
O seu estatuto obrigava a alteração de rotinas, privilégio que o dito mais que CÃO, assumia na completa assumpção do seu direito a ter Direitos….
Trapalhão, é certo, mas sempre muito convincente….
Por exemplo, a relação que o Black conseguiu com o nosso Pai?
Ah CÃO atrevido!
O Pai recomendava, criticava, repreendia. Eu diria mesmo educava!
O Black ouvia é certo, mas nunca desistia daquele olhar meio matreiro, meio a dizer “ vai pregar para outro lado”.
A conversa acabava com um “vai-te embora” acompanhado pela cedência, em segredo, de uma qualquer guloseima proibida no contexto da dieta decretada pelo Orlando, ou não se submete-se o Black à dita intervenção patronal na expectativa de, na primeira oportunidade, sacar a almejada guloseima…
Cumprido o objectivo, durante o processo de retirada, o Black mais que CÃO, exibia o seu famoso ar vitorioso, provocador e meigo, em jeito de quem deixa a porta aberta para uma próxima investida.
A relação Black - Pai é paradigmática… o Black sempre conseguia fazer emergir nas pessoas os sentimentos mais difíceis de exprimir! !!
A Mãe, ao seu melhor jeito, tratava o Black de acordo com o seu estatuto de Príncipe, respeitando escrupulosamente as instruções do dono.
Entre meigas repreensões e sorrisos cúmplices, recompensados com lambuzadelas inesperadas, estabeleciam os seus afectos.
Gracioso no olhar e no abanar de cauda, o Black rivalizava com os demais elementos da Família em prestígio, importância e ternura.
Descarado e trapalhão o Black marcou profundamente a nossa história individual e familiar.
Fê-lo como sabia, provocando afectos, fazendo emergir em cada um de nós sentimentos nem sempre disponíveis, ternura, humanidade, tolerância, amor ao próximo…
Todos fomos infectados por aquilo que o Black representou para nós, por uma qualquer razão que não pretendo explicar.
Os meus filhos, os meus irmãos, a minha esposa e companheira, sobrinhos, os meus pais, a minha cunhada, o Paulo Almeida, alguns amigos e familiares, partilharam o Black e o Black é comum a todos pela mesma razão: O AFECTO, A TERNURA.
Quinze anos é muito tempo, num tempo irremediavelmente curto e fugaz.
Black , bléquinho, seu cão feio, porco e mau, era assim que te tratava, obrigado por tudo o que nos deixastes….Possivelmente sem ti gostaríamos menos uns dos outros, possivelmente se não tivesses passado por cá estaríamos mais longe dos que deveríamos estar próximos.
É em homenagem a ti, Bléquinho, “ cão feio, porco e mau, que quero manifestar a minha total solidariedade com todos os que, sem estranheza ou vergonha, sentiram a tua partida como uma perda.
Prometemos-te bléquinho que nos iremos sempre lembrar de que aquilo que nos separa será sempre infinitamente menor do que aquilo que nos une!
Prometemos-te bléquinho que continuaremos sempre a zelar pelo teu dono e que não o vamos deixar sem afecto, sem ternura!
Está dito
Zé
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