Black

Black
Em Lagos, na Meia Praia com o nariz cheio de areia

Hoje deixaste-nos...

Tiveste de partir... é assim a impermanência das nossas efémeras existências. Não consegui deixar de ficar triste com a tua ida mas estou ainda mais feliz por teres acontecido. Por ter partihado, durante quinze anos, a tua comapnhia. Sempre te disse que eras o melhor cão do mundo. Matenho a afirmação. Saudades de alguém a quem deste muito e que espera ter correspondido.

Friday, March 9, 2007

Ciso, Sandra e Bruno....

Não creio que seja, de todo, possível exprimir por palavras os sentimentos que nos invadem quando perdemos um ente querido. Sim era mesmo um ente querido pois era o nosso Sobrinho Peludo. Gosto de recordar os que amo nos seus momentos felizes e por esse motivo quando penso no Black só me vem á ideia o pobre, ainda jovem (e por esse motivo inexperiente como todos os jovens) a correr no corredor e travando apressadamente só conseguia parar quando batia na porta da rua, todos riamos e ele parecendo entender-nos ( ao invés de amuar ) repetia a cena.
Com saudade dos tios Ciso e Sandra
E com as lágrimas sentidas do primo Bruno.

Thursday, March 8, 2007

"Bléquezinho"

Quis ligar-te irmão! Não o fiz. Ia começar a choradeira de novo e entre fungadelas e balbúcios fica difícil perceber o que temos para dizer.
Não me surpreendeste. Não te conheço assim tão mal. O que não me impede de estar profundamento grato pelo teu apoio e pelo teu "bléquinho". Pelo Black que tu viste e que é, em muitos aspectos, também o meu.

Sabes, acho que todos os cães nunca são simplesmente cães. Da mesma forma que todos os gatos não são simplesmente gatos ou todos os pássaros não são simplemente pássaros. Nem mesmo as minhocas e as bactérias são simplemente minhocas ou bactérias. Também os cães, gatos, pássaros, minhocas ou bactérias que ascenderam à categoria de CÂES, GATOS, PÁSSAROS, MINHOCAS ou BACTÉRIAS, serão sempre mal qualificados. E a razão é simples: é que somos nós, os autointitulados suprasumo do processo evolutivo, quem os mal qualifica.
Não consigo ver esses mesmos CÃES, GATOS, PÁSSAROS, MINHOCAS e BACTÉRIAS sem ver neles um reflexo de mim própio. Sei que esses CÃES, GATOS, PÁSSAROS, MINHOCAS e BACTÉRIAS, à minha semelhança, apenas buscam encontrar aquilo que lhes dá conforto e evitar o que lhes causa sofrimento - esta é a essência última da vida.
No fundo somos todos assim. De formas diferentes sem dúvida. Uns, como era o caso do nosso "bléquezinho" contentam-se com uma carícia, um colinho aconchegado e um naco de comida furtado à socapa. Outros, como o bicho Homem, precisam de DVD's, carros, computadores, aviões e um sem número de acessórios que complicam a vida, mascaram os afectos e promovem a exploração daqueles que, cínica e convenientemente, chamamos de simplesmente cães, gatos, pássaros, minhocas ou bactérias.
Sempre soube disto. Não sei quem mo ensinou, mas quem o fez, fê-lo de tal forma cedo que nem me lembro de o ter aprendido. Talvez seja por isso que quando chego a um restaurante ou café com o conhecido letreiro a dizer "Proibida a entrada a animais" hesito sempre. Não por raiva ou protesto mas simplesmento porque tenho consciência que quando entrar estarei a violar a proibição.

Não deixa de ser estranha a forma como este CÃO que, como dizes, foi mais que CÃO uniu a nossa família, por vezes fisicamente separada por um imenso Atlântico. Diz-nos o reducionista e científico materialismo que o fez sem consciência. Quinze anos de convivio próximo (que incluiu frequentes partilhas de cama com rosnadelas e refilanços quando se sentia incomodado) levam-me a ter sérias dúvidas de que assim seja. É certo que nunca teve uma consciência total dos efeitos das suas acções. Mas quem a tem? Quem tem consciência das repercursões globais de um sorriso, de um gesto simpático ou da adopção não-autorizada de um cão.
Lembras-te?... Há quinze anos ainda vivia em casa dos pais. Sempre quis ter um cão mas eles nunca deixaram. Apanhei-os de férias três meses no Brasil e ala, adoptei o "bléquezinho" - que só não se chamou Aristóteles porque a "vó Bia" não conseguia pronunciar o nome. É claro que nem na altura, nem agora tive plena consciência das repercursões totais da adopção. Foi uma consequência de diferentes causas (entre as quais se contam a ida do nosso tio António para o Brasil) e condições e é ela própria causa de diferentes acontecimentos. É simplesmente demasiado complexa a trama da vida para ser apreendida pela racionalidade redutora.
Uma das consequências dessa adopção foi esta troca de mensagens, esta comunicação, o surgimento do blog. Outra é a felicidade renovada de pertencer a esta família alargada (aos amigos) que sabe ver além das caras e mesmo além dos corações.
Estou melhor. Já consegui escrever todo este mail sem verter uma lágrima e acabei de o ler com um sorriso, ainda triste, nos lábios. Sei que a dor vai atenuar, sei que tenho irmãos, primos, amigos e companheiro em quem me apoiar. Também sei que depois fica aquela saudade doce e acolhedora. Saudade que, quando as recordações nos vêm à lembrança, nos põe um sorriso nos lábios e um brilho (apenas ligeiramente) húmido nos olhos.

Já chorei outros mortos. E porque sei que todos os animais são iguais choro mais este, com saudade como chorei os outros, mas sem estranheza nem vergonha.

Aos amigos e familiares, que foram apanhados neste fogo cruzado de mensagens, agradeço os telefonemas, as SMS's, os mails e as palavras de conforto. Um grande Bem-haja a todos.

"Bléquezinho", a ti que nasceste no dia de anos do meu sobrinho mais velho, um IMENSO BEM-HAJA, por tudo o que fizeste e continuas a fazer.

Sarva Mangalam - é sânscrito e significa "Possam todos os seres atingir a felicidade".

Obrigado primo...

Bonito, conheci o velho BLACK em 1995, ano em que coincidentemente também nos deixou um companheirão, o Sr. Antonio, vosso tio e meu sogro e de todos nós um bom e saudoso amigo, naquele ano em que juntamente com os tios Orlando/Hortense demos aquela volta pela Europa.
Ao longo desses quase 12 anos não via o "bom crioulo o velho negrão" para usar uma terminologia mais brasileira, hiato apenas interrompido agora em janeiro de 2007 quando fomos recebidos (minha mulher e eu) na casa do Orlando, ocasião em que nos deliciamos com umas lulas recheiadas a Orlando Zé Uhnnnnnnnnnnnn!!!! nada sobrando ao homenageado de vez que como dizemos por cá, as lulas estavam que nem os cachorros comiam, claro que porque não sobra. Nem nos tocamos que o BLACK não era simplesmente um cachorro, como preferimos falar ou um cão, isso porque até aquela ocasião não haviamos lido o texto escrito pelo Zé que com sua argúcia logo disso se apercebeu.
Ok! velho black... negrão, você deixa uma lacuna um vazio para os que o conheceram, mas muito mais você constitue uma perda para o seu parceirão, nosso bom primo e amigo dileto Orlando Zé cujo coração cabe nàquele peito por obra divina, coisa que a ciência não explica, tal as suas dimensões.
Amigo Orlando, meu melhor abraço e até breve. No Brasil creio eu.

Martiniano Bezerra

Obrigado irmão...

O Black não podia ter sido simplesmente um cão!
Mesmo que no seu estatuto conseguido ascendesse à categoria de CÃO, o “bléquinho” seria sempre mal classificado, desvalorizado!
Bem sei que o Black tropeçava nas orelhas, metia o focinho onde lhe apetecia sem pedir licença a ninguém, roía e rosnava pelas mais diversas razões, vá-se lá saber quais!?
Saltava para o colo das visitas comprometendo a boa recepção das mesmas e descaradamente na primeira oportunidade oferecia-nos uma lambidela de elevada perfomance.
O Orlando, geralmente, perdoava-nos os desrespeitos cometidos à mesa, quando cedíamos às incessantes solicitações do Black em busca de um naco de comida…! CÃO guloso…!
Isto também era o Black!
Digo deste modo porque, o Black CÃO, para além do cão que existia dentro de si, era outra coisa que não sabemos bem definir. Algo que nos confunde, que nos ameaça as convicções e nos baralha os afectos….
A sua ascenção a cão mais que CÃO foi rápida, meteórica, e neste caso o consenso foi generalizado. TODOS sorrateiramente foram promovendo o Black cão a Black mais que CÃO.
Mas a carreira do Black não terminaria por aqui (Tinha a seu favor, entre outros, o facto de não estar na Função Pública).
Mais uma vez, sorrateiramente, TODOS promovíamos o Black a uma categoria que ninguém ousou designar e que lhe granjeava um lugar no seio dos mais genuínos afectos da Família…
Creiam-me, no seio da Família, o CÃO era ouvido, respeitado, admirado, acarinhado, mimado….
O seu estatuto obrigava a alteração de rotinas, privilégio que o dito mais que CÃO, assumia na completa assumpção do seu direito a ter Direitos….
Trapalhão, é certo, mas sempre muito convincente….
Por exemplo, a relação que o Black conseguiu com o nosso Pai?
Ah CÃO atrevido!
O Pai recomendava, criticava, repreendia. Eu diria mesmo educava!
O Black ouvia é certo, mas nunca desistia daquele olhar meio matreiro, meio a dizer “ vai pregar para outro lado”.
A conversa acabava com um “vai-te embora” acompanhado pela cedência, em segredo, de uma qualquer guloseima proibida no contexto da dieta decretada pelo Orlando, ou não se submete-se o Black à dita intervenção patronal na expectativa de, na primeira oportunidade, sacar a almejada guloseima…
Cumprido o objectivo, durante o processo de retirada, o Black mais que CÃO, exibia o seu famoso ar vitorioso, provocador e meigo, em jeito de quem deixa a porta aberta para uma próxima investida.
A relação Black - Pai é paradigmática… o Black sempre conseguia fazer emergir nas pessoas os sentimentos mais difíceis de exprimir! !!
A Mãe, ao seu melhor jeito, tratava o Black de acordo com o seu estatuto de Príncipe, respeitando escrupulosamente as instruções do dono.
Entre meigas repreensões e sorrisos cúmplices, recompensados com lambuzadelas inesperadas, estabeleciam os seus afectos.
Gracioso no olhar e no abanar de cauda, o Black rivalizava com os demais elementos da Família em prestígio, importância e ternura.
Descarado e trapalhão o Black marcou profundamente a nossa história individual e familiar.
Fê-lo como sabia, provocando afectos, fazendo emergir em cada um de nós sentimentos nem sempre disponíveis, ternura, humanidade, tolerância, amor ao próximo…
Todos fomos infectados por aquilo que o Black representou para nós, por uma qualquer razão que não pretendo explicar.
Os meus filhos, os meus irmãos, a minha esposa e companheira, sobrinhos, os meus pais, a minha cunhada, o Paulo Almeida, alguns amigos e familiares, partilharam o Black e o Black é comum a todos pela mesma razão: O AFECTO, A TERNURA.
Quinze anos é muito tempo, num tempo irremediavelmente curto e fugaz.
Black , bléquinho, seu cão feio, porco e mau, era assim que te tratava, obrigado por tudo o que nos deixastes….Possivelmente sem ti gostaríamos menos uns dos outros, possivelmente se não tivesses passado por cá estaríamos mais longe dos que deveríamos estar próximos.
É em homenagem a ti, Bléquinho, “ cão feio, porco e mau, que quero manifestar a minha total solidariedade com todos os que, sem estranheza ou vergonha, sentiram a tua partida como uma perda.
Prometemos-te bléquinho que nos iremos sempre lembrar de que aquilo que nos separa será sempre infinitamente menor do que aquilo que nos une!
Prometemos-te bléquinho que continuaremos sempre a zelar pelo teu dono e que não o vamos deixar sem afecto, sem ternura!
Está dito

Tuesday, March 6, 2007

Hoje deixaste-nos..


Tiveste de partir... é assim a impermanência das nossas efémeras existências.
Não consegui deixar de ficar triste com a tua ida mas estou ainda mais feliz por teres acontecido. Por ter partihado, durante quinze anos, a tua comapnhia.
Sempre te disse que eras o melhor cão do mundo.
Matenho a afirmação.
Saudades de alguém a quem deste muito e que espera ter correspondido.